E em tempo de figos, porque não chá de folhas de figueira?

figos.png

Se há coisa de que não me canso nesta altura do ano é de figos.
Nunca me contento só com um, como sempre MUITOS figos.
E os meus preferidos são os chamados “pingo de mel”… para mim os mais docinhos… mas temos também o figo rei, o da Turquia e entre muitas outras espécies.

Estava eu a olhar para a minha próxima refeição – um “balde” de figos – quando me lembrei: e um cházinho de figo?
Fui à procura e não encontrei propriamente chá de figo, mas sim chá de folhas de figueira.
E fiquei surpreendida com os benefícios do mesmo:

Na diabetes – “folhas de figo contêm quantidades elevadas de insulina natural, e por isso (…). É um excelente remédio natural para aqueles que sofrem de diabetes.”

Nos Triglicerídeos – “As folhas da figueira ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos no organismo, portanto, devem ser consumidos regularmente, prevenção de ataques cardíacos e obesidade.”

Na Bronquite – “Um chá com folhas de figueira é um grande remédio para tratar a asma, bronquite e outras doenças respiratórias.”

Confesso que fiquei surpreendida e não fazia sequer ideia das propriedades benéficas desta árvore. Apenas conhecia o sabor delicioso do fruto!
Mas tenho que experimentar o chá, pois com um fruto tão apetitoso, acredito que o chá de folhas de figueira terá igualmente um aroma bem doce!

Chás, Tisanas e Infusões… vamos desmistificar esta história!

chavenas

É curioso como gostamos de dar significados errados às palavras, ou utilizar palavras inadequadas para dar nomes às coisas… bem acho que estou a ter uma “déjá vu” das minhas aulas de semiologia: símbolo, signo… significado… mas o que pretendo mesmo dizer é utilizamos a palavra chá para denominar tudo aquilo que implica o ter ervas e/ou frutos num mesmo recipiente com água quente ou a ferver!
E é aqui que eu quero chegar: o que é um chá?

Chá – a segunda bebida mais consumida a nível mundial, feita através do processo de infusão das folhas oriundas do cházeiro, planta de nome científico Camellia sinensis.

Tisana – bebida resultante do processo de colocação de frutos, flores ou ervas em água a ferver. Historicamente consumida por razões medicinais ou como substituto da cafeína, hoje é por muitos também denominada de “chá”: “chá” de ervas, “chá” de flores, “chá” de frutas, “chá” rooibos, “chá” erva mate.

Infusão – operação que consiste em pôr uma substância em contacto com um líquido quente.

Se tiver dúvida sobre se o que está a beber é chá ou “chá” (tisana), consulte os ingredientes. Se não tiver vestígios de camellia sinensis, deverá ser denominado de tisana!

Imagem encontrada em dbievents.blogspot.pt/

Infusões e flores de estufa

3

Desde pequena que eu e o meu irmão fomos categorizados de “flores de estufa”. Não podíamos apanhar um arzinho mais fresco, andar descalços, ficar com o cabelo molhado, que ficávamos engripados logo de seguida. Todas estas situações deram azo a ralhetes e reprimendas devidamente acompanhados do pseudo-insulto “flores de estufa”.

Mas como crianças que éramos, embora as reprimendas e avisos fossem muitos (incontáveis) fazíamos sempre a mesma coisa e acabávamos sempre a fungar.
Sem forma de alterar o nosso comportamento, a minha mãe só tinha uma opção: focar-se nas soluções. E no nosso tempo a maioria das soluções eram mezinhas.
A mais comum lá em casa era o vulgo “chá de limão com mel”, que consistia em colocar uma casca de limão em água até ferver. Deixar em fervura durante três minutos e depois adoçar com uma colher de sopa de mel. Por vezes acrescentávamos umas gotas de limão. Mas o processo de tratamento não se cingia a ingerir e infusão. Passava também por inalar os vapores (uma versão mais económica e rudimentar dos aerossóis).
Se fazia bem? Fazia. Ou pelo menos não me recordo de alguma vez me ter feito mal.
E nas noites bem frias de inverno era um verdadeiro miminho antes de “nanar”.